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Time editorial do Pipocou.
O cinema brasileiro voltou a ocupar o lugar mais alto do festival mais importante do mundo. Na noite de domingo, Walter Salles subiu ao palco do Théâtre Lumière três vezes: para receber a Palma de Ouro por Ainda Estou Aqui, para ver Fernanda Torres premiada como Melhor Atriz, e para celebrar o roteiro adaptado escrito ao lado de Murilo Hauser.
É a primeira vez na história que um filme brasileiro leva as três categorias na mesma edição — feito que coloca Salles ao lado de nomes como Ken Loach e os irmãos Dardenne na seleta lista de cineastas multipremiados em Cannes.
Esse prêmio é da Eunice Paiva. É de todas as mulheres que tiveram que sustentar a memória de quem foi silenciado. Fernanda Torres, ao receber o prêmio de Melhor Atriz
Adaptado do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, Ainda Estou Aqui conta a história de Eunice Paiva, mulher do deputado Rubens Paiva, desaparecido pela ditadura militar em 1971. O projeto começou em 2015, quando Salles leu o manuscrito ainda inédito e decidiu que esse seria seu próximo filme.
Foram quase dez anos entre a primeira reunião de roteiro e a estreia em Veneza, em setembro de 2024. No caminho, a pandemia, a mudança de governo no Brasil — que destravou linhas de financiamento via Lei Rouanet — e a entrada de Fernanda Torres no projeto, em substituição a uma escalação anterior que não foi adiante.
O Brasil entendeu que precisava contar essa história, e o mundo entendeu que precisava ouvir.
Com Cannes no bolso, o filme se posiciona como favorito incontestável na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional — categoria em que o Brasil só venceu uma vez, em 1962, com O Pagador de Promessas. A campanha americana, conduzida pela Sony Pictures Classics, começa oficialmente em julho.
Para Fernanda Torres, o prêmio em Cannes a coloca diretamente na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz — a mesma vaga que sua mãe, Fernanda Montenegro, ocupou em 1999 por Central do Brasil, também dirigido por Salles.
O cinema brasileiro, que vinha de uma sequência de bons resultados em festivais menores, ganha agora uma plataforma global. E uma pergunta velha volta com força nova: quanto tempo até a primeira Palma de Ouro brasileira virar a segunda?
Editora-chefe do Pipocou. Cobre festivais internacionais e indústria audiovisual há 12 anos. Já passou por Folha, Piauí e Variety Brasil.
Seguir →Que momento histórico. Já tinha visto o filme em outubro e saí do cinema sem palavras. A Fernanda Torres entrega uma das atuações mais contidas e poderosas que já vi — merecidíssimo.
Vai com tudo pro Oscar agora. Curioso pra ver como vai ser a campanha americana — historicamente filmes em português têm mais dificuldade que os em espanhol/francês na corrida.
Salles merecia há muito tempo. Diários de Motocicleta já era uma obra-prima que não foi premiada como deveria. Justiça poética.
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