A 79ª edição do Festival de Cannes começou na terça-feira (12) com The Electric Kiss, do francês Pierre Salvadori, e a reação da crítica internacional escolheu campos opostos rapidamente.
O filme
Ambientado na Paris dos anos 1920, The Electric Kiss (no original La Vénus Électrique, sem título oficial em português ainda) acompanha um pintor que se apaixona por uma médium em luto. A proposta é mistura: comédia romântica de época, melodrama e meditação sobre a perda. O elenco mantém o time do Salvadori, diretor de En Liberté! (Quinzena 2018) e veterano em comédia francesa de elenco coral.
A sessão oficial fechou com cinco minutos de aplausos do público no Grande Auditório Louis Lumière. A crítica especializada não foi tão calorosa.
A divisão
A Variety chamou o filme de "a pior abertura de festival que vi numa década". O Hollywood Reporter foi mais educado: disse que o filme "falha em comprometer-se com qualquer um dos gêneros que tenta abraçar". A Screendaily resumiu com gentileza que "falta faísca genuína" no longa.
Do outro lado, a Deadline destacou um "charme francês" e a IndieWire reconheceu mérito ao tom "mais lushly romantic and human", sem deixar de apontar o tropeço de ritmo. O elogio universal foi pra fotografia de Julien Poupard, a direção de arte de Angelo Zamparutti e a trilha de Camille Bazbaz.
O que diz da edição
Salvadori opera num registro que envelhece bem em sala e mal em texto crítico. A escolha pra abrir Cannes 2026 já era arriscada: uma comédia romântica de época francesa quando o festival precisa segurar uma edição quase sem estrelas de Hollywood. A imprensa internacional já tinha apontado que 2026 não terá Missão Impossível nem Indiana Jones na escadaria, e o filme de abertura confirmou a temperatura.
Pra quem vai acompanhar Cannes esta semana, vale guardar atenção pros próximos dias. Paper Tiger, de James Gray, com Scarlett Johansson, estreia na competição no sábado. A Quinzena tem La Perra, de Dominga Sotomayor, com Selton Mello. E na meia-noite desta quarta, o primeiro Velozes e Furiosos completa 25 anos no Lumière. O festival ainda tem onde se firmar.
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