O 79º Festival de Cannes abre as portas nesta terça-feira (12) com a comédia de época La Vénus Électrique, de Pierre Salvadori, no Grand Théâtre Lumière. Pela primeira vez em quase uma década, nenhum longa brasileiro vai disputar a Palma de Ouro, ausência que pesa especialmente vinda do ano seguinte ao triunfo de Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho com O Agente Secreto.
A comédia francesa que abre a edição
Salvadori volta a Cannes com seu 11º longa em 34 anos. La Vénus Électrique se passa na Paris de 1928 e segue Antoine Balestro, pintor em alta que parou de trabalhar depois da morte da esposa. Numa noite de bebedeira, Antoine tenta contato com a falecida via uma médium e cai numa golpista chamada Suzanne, que aproveita para orquestrar sessões falsas com a ajuda de um marchand. O elenco junta Pio Marmaï, Anaïs Demoustier, Gilles Lellouche, Vimala Pons e Gustave Kervern. É o quarto trabalho de Marmaï com Salvadori.
O lugar vazio na competição
A Palma deste ano não terá Brasil. Em 2025, Kleber Mendonça Filho levou Melhor Diretor e Wagner Moura virou o primeiro brasileiro a vencer Melhor Ator na história do festival. O mesmo Agente Secreto depois bateu o Globo de Ouro e disputou o Oscar de Filme Internacional. Foi um pico difícil de sustentar de imediato, mas o silêncio na seleção oficial dói. Nos últimos dez anos, os quatro únicos latino-americanos a competir pela Palma foram brasileiros: Aquarius, Bacurau, Motel Destino (de Karim Aïnouz) e O Agente Secreto.
Onde o Brasil aparece nas paralelas
A bandeira fica nas seções vizinhas, e o papel é o de coprodutor.
Na Un Certain Regard, Elefantes na Névoa faz sua estreia mundial. É a primeira vez do nepalês Abinash Bikram Shah na direção de um longa. Ele já tinha levado Menção Especial em Cannes 2022 com o curta Lori e assinou o roteiro de Shambhala, mostrado em Berlim. O filme se passa numa vila nepalesa próxima a uma floresta de elefantes selvagens e segue Pirati, líder de uma comunidade Kinnar, depois do desaparecimento de uma das filhas. A coprodução envolve Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega, com participação das produtoras pernambucanas Bubbles Project e Enquadramento Produções.
Na Semana da Crítica, Seis Meses no Prédio Rosa e Azul disputa o Grand Prix da seção. Dirigido pelo mexicano Bruno Santamaría Razo, é o único latino-americano na competição da semana. A trama acompanha um garoto da Cidade do México que, ao completar 11 anos, percebe que está apaixonado pelo melhor amigo, Vladimir. A coprodução é assinada pela mexicana Ojos de Vaca, a recifense Desvia (já com 15 filmes no portfólio) e a dinamarquesa Snowglobe. Produzem pelo Brasil Rachel Daisy Ellis e Camille Reis, com o ator Demick Lopes em papel de apoio e boa parte da pós-produção feita aqui.
O resto da competição
A disputa pela Palma traz nomes pesados: Pedro Almodóvar, Asghar Farhadi, Paweł Pawlikowski, Ira Sachs, Hirokazu Kore-eda, László Nemes e Ryusuke Hamaguchi. O festival vai até 23 de maio.
A cobertura brasileira em Cannes vai existir, só que num lugar diferente. Coproduzir não é a mesma coisa que assinar, mas é um tipo de presença que tem crescido em volume nos últimos festivais europeus e que tende a render no longo prazo, mesmo quando a manchete do dia é a ausência da Palma.
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