DGA inicia hoje negociação com estúdios e mira IA, empregos e plano de saúde
A Directors Guild of America entra hoje na mesa de negociação com a AMPTP, fechando o calendário das três grandes guildas de Hollywood depois dos acordos do WGA em abril e da SAG-AFTRA no início de maio. O contrato atual dos diretores vence dia 30 de junho.
IA na linha de frente
Como aconteceu com roteiristas e atores, inteligência artificial vira ponto central. A presidente da DGA, Lesli Linka Glatter, já adiantou que vai pedir limites de uso de modelos generativos em pré-produção, edição e visualização, áreas em que o diretor concentra autoria. O acordo da SAG-AFTRA fechou na semana passada com "guardrails" inéditos pra proteger o trabalho dos atores: agora os diretores querem cláusulas equivalentes.
Christopher Nolan, em entrevista à Deadline em fevereiro, deixou claro que a categoria não topa um contrato de cinco anos com os estúdios neste cenário, sinal de que a DGA não vai querer prazos longos sem revisão.
Empregos, saúde e o aperto da produção
Outro tema quente é a escassez de trabalho. Os estúdios encolheram a esteira nos últimos dois anos e a recuperação ainda não chegou ao patamar pré-greve de 2023. Glatter cita queda de produção, consolidação dos estúdios e inflação da saúde como vetores que pressionam o sindicato. A AMPTP vai chegar dizendo que ofereceu 100 milhões de dólares de socorro ao plano de saúde das guildas no fim de 2025 em troca de contratos plurianuais, modelo que pautou parte da conversa com a SAG-AFTRA.
Para quem assiste daqui, o desfecho é o que define os calendários de Netflix, Max, Prime Video e Disney+ daqui em diante. Uma briga prolongada atrasaria séries em produção e travaria estreias de 2027 e 2028. Com WGA e SAG-AFTRA fechados, o cenário mais provável é acordo costurado em poucas semanas, mas IA é o tipo de pauta que costuma destravar mais devagar.
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