O Fantasia, festival de Montreal que virou a Meca do cinema de gênero no hemisfério norte, divulgou na terça (5) a primeira leva da sua 30ª edição. São 13 longas, número simbólico claramente, e um cardápio que já dá pra ver pra que lado o festival vai puxar este ano: muito horror, alguma ficção científica, e a dose habitual de filmes que ninguém mais teria coragem de programar.
A edição rola de 16 de julho a 2 de agosto nos cinemas Concordia Hall e J.A. de Sève, em Montreal. A grade completa sai no começo de julho.
Os destaques que valem viagem
The Last Temptation of Becky, de Jenn Wexler, é o terceiro capítulo da franquia Becky, aquela em que uma adolescente cabeluda recebe a tarefa universal de matar um nazista atrás do outro. Lulu Wilson volta no papel-título e Neil Patrick Harris entra no elenco. Estreia mundial em Fantasia, depois cinema via Quiver Distribution.
Hot Spot, da polonesa Agnieszka Smoczyńska (a mesma de The Lure e The Silent Twins), pega o noir de detetive e atira ele dentro de um mundo governado por inteligência artificial senciente. Noomi Rapace está no elenco. Vai disputar a Cheval Noir, principal competição do festival, e é candidato natural a virar conversa séria mais pra frente.
No Rest for the Wicked, do dinamarquês Kasper Kalle, é uma adaptação de Manor, romance de vampiros publicado em 1884. Pilou Asbæk (de Game of Thrones) e Egor Venned encabeçam. Chama a atenção justamente por não ser mais um vampiro de moda, é um vampiro de catacumba europeia.
O cardápio internacional
A primeira leva também trouxe:
- You Are the Film, do japonês Makoto Ueda
- The Eyes, do sul-coreano Yeom Ji-oh
- Sour Minnows, de Harrison Atkins
- Kung Fu, do taiwanês Giddens Ko (do You Are the Apple of My Eye)
- Home Bodies, de Casey Walker
- Captured!, do japonês Koichi
- Tight Lettuce, de Harrison Houde
- Unholy Night, de Michael Gabriele
- Break Free, de Yu Nakamoto
- Ferine, do italiano Andrea Corsini
A geografia já diz alguma coisa: Coreia, Japão, Taiwan, Itália, Dinamarca, Polônia. Fantasia continua sendo um dos poucos festivais grandes da América do Norte que solta o programa sem o gargalo natural de Hollywood.
Por que olhar pra este Fantasia em específico
Trinta anos é um número que normalmente vira retrospectiva preguiçosa. Não é o caso aqui. Fantasia foi onde Mandy, do Panos Cosmatos, arrebentou em 2018; onde Tigers Are Not Afraid ganhou tração antes de Guillermo del Toro adotar o filme; onde A Substância circulou entre os primeiros que entenderam o que estavam vendo. É um festival que sabe escolher, e cuja seleção tende a antecipar o que vai aparecer no Letterboxd da galera mais conectada nos próximos seis meses.
A escolha de abrir com nomes como Smoczyńska e Asbæk mostra que o Fantasia 30 quer marcar presença nas conversas sérias, sem abrir mão da carnificina cult que construiu a marca. Hot Spot é o que mais merece atenção do crítico, Smoczyńska é diretora de catálogo e o tema acerta o nervo do ano. Pro fã de horror, No Rest for the Wicked é o filme pra brigar pelo ingresso. E The Last Temptation of Becky fecha uma trilogia que ninguém pediu mas todo mundo, em algum momento, foi conferir. A grade completa sai em julho. Tem espaço pra muita coisa entrar no caminho.
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