A sessão de estreia de Fjord (título ainda sem tradução oficial para o Brasil) na competição de Cannes virou o tipo de momento que vira manchete na Croisette inteira. O sétimo longa de Cristian Mungiu arrancou uma ovação de 13 minutos da plateia, a mais longa do festival até agora, com Sebastian Stan visivelmente abalado, alternando entre balançar a cabeça em descrença e segurar as lágrimas.
Por que entrou no páreo da Palma
Mungiu não brinca em serviço quando estreia em Cannes. Ganhou a Palma em 2007 com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, levou Melhor Roteiro em 2012 por Além das Colinas e Melhor Direção em 2016 por Formatura. Fjord é o seu primeiro filme em inglês e, segundo a Variety e o Deadline, o melhor candidato à segunda Palma da carreira.
A história acompanha Mihai Gheorghiu, engenheiro de software romeno interpretado por Stan, que muda a família profundamente religiosa de Bucareste para uma cidadezinha rural na Noruega, terra natal da mulher, Lisbet (Renate Reinsve, de A Pior Pessoa do Mundo). Quando a filha adolescente aparece na escola com hematomas no corpo, o serviço social norueguês entra na vida deles, e o que parecia uma vida nova vira pesadelo.
O elenco que tirou o festival do prumo
Sebastian Stan está irreconhecível no papel. Renate Reinsve sustenta um arco de partir o coração ao lado dele. A crítica do Variety chamou o filme de social drama brilhantemente entrelaçado, e a do IndieWire destacou como Mungiu trata o tema sem tomar partido, no melhor estilo dele de jogar o moral na mão de quem assiste.
Está com 79 no Metacritic logo no primeiro dia de cobertura, número alto pra um filme de festival que ainda nem chegou ao público mais amplo. A Neon comprou o filme pros Estados Unidos um ano antes da estreia, sinal de que aposta forte numa campanha de premiação. O nome de Mungiu volta com força à briga pela Palma de Ouro, que será entregue no próximo sábado.
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