Estreia hoje na Netflix Marty, Life Is Short (título ainda sem tradução oficial para o Brasil), documentário sobre Martin Short dirigido pelo amigo de longa data Lawrence Kasdan. O filme cobre mais de cinco décadas de carreira, do SCTV ao Saturday Night Live até a Broadway e Only Murders in the Building. A Netflix soltou o trailer oficial há alguns dias.
Um diretor que é parte da história
Kasdan não é diretor qualquer. Roteirizou Star Wars: O Império Contra-Ataca e Os Caçadores da Arca Perdida, dirigiu Corpos Ardentes, O Reencontro e Wyatt Earp. Conhece Martin Short há mais de quarenta anos e construiu o documentário a partir dessa intimidade, entrevistas longas, arquivo pessoal, conversa em casa com câmera quase parada.
A escolha narrativa privilegia o tempo. Em vez do clipão atropelado, Kasdan deixa o entrevistado respirar e contar até o fim de cada história. É a velha escola do retrato em movimento, e funciona.
A comédia que vem da perda
O coração do filme é o que Short raramente discute em público. Entre os 12 e os 20 anos, ele perdeu o pai, a mãe e o irmão. Em 2010, perdeu a esposa, Nancy Dolman, para um câncer de ovário. O documentário mostra como o "gene da alegria", termo que ele próprio usa, foi forjado num solo de luto que ele sempre soube esconder atrás do timing perfeito.
Aparecem na tela Steve Martin, Tom Hanks, Eugene Levy e a falecida Catherine O'Hara, homenageando o amigo. As participações funcionam menos como cortes de celebração e mais como testemunho da geração que cresceu junto, em Toronto, em Hollywood, no palco.
Disponível no catálogo brasileiro
O documentário entra no catálogo da Netflix Brasil sem janela escalonada, está disponível a partir desta terça pra todos os assinantes. Pra quem só conhece Short pelos papéis recentes em Only Murders, é uma boa porta de entrada na figura completa: o cara que fez do exagero físico uma forma de afeto, e que conseguiu carreira longa atravessando luto, divórcio e mudança de gosto coletivo sem nunca parecer cansado.
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