O Labirinto do Fauno volta a Cannes em 4K vinte anos depois da ovação
Em 12 de maio, no Théâtre Debussy, O Labirinto do Fauno (2006) reabre as portas dos Cannes Classics, desta vez em 4K, restaurado a partir do negativo original de 35mm sob supervisão direta de Guillermo del Toro. O filme já foi maior que o festival; agora volta como peça de museu viva.
Vinte anos da ovação de 22 minutos
A história de Cannes registra uma única ovação de 22 minutos. Foi pra esse filme em 2006, quando ninguém na Croisette sabia direito o que fazer com um conto de fadas espanhol filmado como filme de guerra. O fauno saía de uma mitologia paralela, a Guerra Civil aparecia em violência seca, e Guillermo Navarro fotografava cada cantinho da floresta com texturas que renderiam um Oscar logo depois.
Vinte anos depois, del Toro acompanhou cada decisão da restauração: escala de cor, contraste, grão preservado. O resultado tem 4K e HDR, e o pacote premium completo em 3D estará disponível quando o filme voltar aos cinemas no dia 9 de outubro, distribuído pela Cineverse no mercado americano. Não há ainda data oficial pro circuito brasileiro, mas o histórico das relançadas de del Toro indica que algum exibidor local, como Cinemark, UCI ou Petra Belas Artes, deve se mexer.
Por que a sessão importa
A entrada de O Labirinto do Fauno na pré-abertura oficial não é nostalgia barata. É a maneira de Cannes amarrar a edição às próprias glórias enquanto o festival entrega Palma de Ouro honorária a Peter Jackson na noite de abertura. Numa edição em que os filmes em competição vêm de Almodóvar, Park Chan-wook (presidente do júri), Fukada Koji e Ira Sachs, lembrar que Cannes premiou um conto de fadas mexicano-espanhol funciona como tese política tanto quanto curatorial.
Del Toro vai estar presente. A apresentação prevê fala do diretor antes da projeção, e a seguir vem o pacote completo dos Cannes Classics, incluindo Os Demônios de Ken Russell e a remasterização de The Fast and the Furious (2001, sem tradução oficial no Brasil, conhecido por aqui como Velozes e Furiosos), na contramão de qualquer expectativa razoável. Cannes 2026 abre com o que sabe fazer melhor: misturar cinema autoral com cult de drive-in sem pedir desculpa.
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