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Obsessão é o terror do ano e Curry Barker já foi contratado para Massacre da Serra Elétrica

Obsessão custou US$ 750 mil e revelou Curry Barker, 26 anos, contratado pela A24. Crítica: Inde Navarrette segura o melhor terror independente do ano.

Obsessão é o terror do ano e Curry Barker já foi contratado para Massacre da Serra Elétrica
— O VEREDITO

Curry Barker, 26 anos, sai do YouTube pra entregar o terror independente do ano com Inde Navarrette e Michael Johnston em estado de graça

PulaPra fãsValeImperdível
85/100
TensoAtuaçãoVale o ingresso
Pra quem ama horror inteligente de A24/Blumhouse, gosta de obsessão romântica virando pesadelo e curte ver atriz nova explodir em tela

Em horror, orçamento é o que menos importa. Obsessão prova isso de uma vez por todas. O longa de estreia de Curry Barker custou US$ 750 mil, já faturou US$ 23 milhões em bilheteria e é uma das maiores surpresas do ano no gênero. Trinta vezes o orçamento de volta, e o filme merece cada centavo.

Barker tem 26 anos. Antes de Obsessão, era um nome do YouTube. Tocava o canal de comédia "that's a bad idea" junto com Cooper Tomlinson, que aparece no próprio elenco do filme como Ian. Em 2024 estreou na direção com Milk & Serial, um terror em câmera caseira feito por US$ 800 e lançado de graça no YouTube, que viralizou e abriu as portas pro circuito profissional. Em 2026 a Focus Features pagou US$ 14 milhões pra distribuir Obsessão. A A24 já contratou Barker pra dirigir a próxima versão de Massacre da Serra Elétrica. Esse é o tipo de carreira que faz produtor experiente perder o sono.

Barker dirige, escreve e edita o próprio longa, e o que ele entrega é um exercício de roteiro tão limpo que fica difícil acreditar que ninguém tinha feito esse filme antes. Um rapaz apaixonado compra um brinquedo barato que promete realizar desejos. Pede pra conquistar a melhor amiga. Consegue. Aí o feitiço vira pesadelo, e ele descobre que obsessão não tem botão de desligar.

A premissa é simples, mas Barker leva pra um terreno que mistura horror psicológico, ansiedade afetiva e uma reflexão genuína sobre desejo, consentimento e o que acontece quando você consegue exatamente o que pediu. Sem moralismo. Sem firula. E com duas atuações que carregam o filme inteiro.

Inde Navarrette troca de pele e segura Obsessão nas costas

Inde Navarrette faz a Nikki Freeman, a melhor amiga que vira o objeto do desejo, e dela vem o trabalho mais difícil do elenco. Começa como uma garota perfeitamente normal, dessas que aparecem em qualquer comédia adolescente americana de colégio. Termina como uma versão grotesca de obsessão. A variação da personagem é gigante.

Navarrette nunca exagera. É um truque de microexpressão. A mesma menina que ri de bobagem na primeira meia hora tem o sorriso escalado três notas a mais cinco cenas depois, e o filme nem precisa sublinhar a mudança. Você sente. É o tipo de atuação que muda a carreira de uma atriz jovem do dia pra noite.

Michael Johnston e o vilão que não parece vilão

Michael Johnston, no papel de Baron "Bear" Bailey, joga o jogo oposto. Entra como o coração mole da história, o garoto que a gente torce sem pensar, e o filme passa cento e poucos minutos puxando o tapete pra perguntar: ele é vítima do feitiço, ou só o cara que tomou a decisão errada? Bear é gentil. Bear pede desculpa. Bear chora. E é exatamente por isso que ele assusta.

Johnston entende uma coisa que terror moderno frequentemente esquece, o vilão funcional do cinema contemporâneo raramente é o cara mau, é o cara comum que se permitiu chegar lá. Quando ele e Navarrette dividem o quadro, o filme respira. É a química rara de dois protagonistas que entendem que estão fazendo a mesma cena por dois pontos de vista incompatíveis.

Curry Barker dirige câmera barata como quem tem dinheiro

A direção do Curry Barker trabalha em duas chaves. Quando o orçamento joga a favor, ele usa: planos longos, atores cozinhando o desconforto, câmera só observando, silêncio fazendo o serviço pesado. Quando o orçamento atrapalha, ele esconde com truques de câmera espertos, escolhas de enquadramento criativas e movimentos calculados que driblam a falta de cenário caro. Tem pelo menos uma cena, talvez a mais tensa do filme, em que dá pra perceber que ele estava trabalhando com pouca grana. Você vai entender qual quando vir. Não estraga o efeito, mas é o tipo de detalhe que cinéfilo de orçamento percebe e respeita.

O diretor de fotografia Taylor Clemons ajuda muito. Iluminação suja, paleta esquentada, casa que parece casa. Nada de terror estético brilhante de plataforma de streaming. Aqui as paredes têm gordura, e isso evoca o James Wan de Sobrenatural em começo de carreira, mais do que qualquer terror recente. Tem cenas, inclusive, que são de pular da cadeira no sentido literal, não pelo susto barato, mas pela tensão acumulada que estoura quando você já não esperava.

A trilha de Rock Burwell sabe quando sair de cena. Terror moderno comete o pecado da partitura agressiva com frequência. Obsessão deixa o silêncio fazer o trabalho, e quando o som entra, importa.

Quem deve ver, quem deve pular

Vale a pena ver Obsessão no cinema? Sim, e com pipoca grande. É o filme de horror inteligente que justifica o ingresso, daqueles que recompensam quem não tira o olho da tela. Curry Barker entrega o tipo de estreia que faz a gente esperar o próximo projeto dele com fome, ainda mais com a A24 já garantida na esquina.

Pra quem ama A24, Blumhouse no auge e horror que respeita o público, vai ser um dos filmes do ano. Pra quem queria filme de assassino mascarado tradicional, terror sobrenatural barulhento ou susto barato em sequência, vai sair de mãos vazias. Não é esse o filme.

Saindo da sessão fica uma pergunta no ar, quem era obcecado por quem? Quem era realmente o vilão? Obsessão não te entrega a resposta. Te entrega o desconforto de ter que pensar nisso no caminho de casa, e é isso que faz horror ser bom de assistir no cinema.

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Luiz Carvalho

Time editorial do Pipocou.

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