Scarlett Johansson volta à A24 em 'Scapegoat', próximo de Ari Aster
13 anos depois de Sob a Pele, atriz volta ao território autoral com o cineasta de Hereditário. Trama é mantida em sigilo total.
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Por Redação Pipocou
07 de mai. de 2026·2 min de leitura
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Scarlett Johansson fechou com Ari Aster pra estrelar Scapegoat, próximo longa do diretor depois de Eddington. O anúncio saiu nesta quarta na Variety. O filme será distribuído pela A24, que liberou os quatro últimos filmes de Aster, e marca o retorno de Johansson ao estúdio 13 anos depois de Sob a Pele (2013).
Sigilo total, como sempre
Aster escreveu o roteiro original no fim do ano passado. A trama está blindada, comportamento de praxe pro diretor, que mantém sinopses no escuro até a véspera da campanha. Aster produz junto com Lars Knudsen pela Square Peg, casa que vem servindo de hub criativo desde Hereditário (2018).
Por que Johansson escolheu Aster agora
A atriz vem alternando blockbusters (Jurassic World: Recomeço) com pausas longas em projetos mais autorais. Sob a Pele, do Jonathan Glazer, foi o último mergulho radical antes do ciclo Marvel. A volta à A24 com Aster sinaliza fim de uma fase: Johansson aos 41 atrás de papéis que pisem mais fundo do que o que a Disney costuma comprar.
Pro lado de Aster, a escolha é coerente. Depois de Eddington dividir crítica em Cannes 2025, ele precisava de um projeto que a indústria abraçasse antes da câmera ligar. Johansson é justamente esse tipo de aval.
O cinema brasileiro voltou a ocupar o lugar mais alto do festival mais importante do mundo. Na noite de domingo, Walter Salles subiu ao palco do Théâtre Lumière três vezes: para receber a Palma de Ouro por Ainda Estou Aqui, para ver Fernanda Torres premiada como Melhor Atriz, e para celebrar o roteiro adaptado escrito ao lado de Murilo Hauser.
É a primeira vez na história que um filme brasileiro leva as três categorias na mesma edição, feito que coloca Salles ao lado de nomes como Ken Loach e os irmãos Dardenne na seleta lista de cineastas multipremiados em Cannes.
Esse prêmio é da Eunice Paiva. É de todas as mulheres que tiveram que sustentar a memória de quem foi silenciado.
Fernanda Torres, ao receber o prêmio de Melhor Atriz
Uma vitória que demorou quase dez anos
Adaptado do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, Ainda Estou Aqui conta a história de Eunice Paiva, mulher do deputado Rubens Paiva, desaparecido pela ditadura militar em 1971. O projeto começou em 2015, quando Salles leu o manuscrito ainda inédito e decidiu que esse seria seu próximo filme.
Filme em destaque
Ainda Estou Aqui
2024 · Drama, Histórico · 137 min · Walter Salles
94
Foram quase dez anos entre a primeira reunião de roteiro e a estreia em Veneza, em setembro de 2024. No caminho, a pandemia, a mudança de governo no Brasil, que destravou linhas de financiamento via Lei Rouanet, e a entrada de Fernanda Torres no projeto, em substituição a uma escalação anterior que não foi adiante.
O Brasil entendeu que precisava contar essa história, e o mundo entendeu que precisava ouvir.
Walter Salles · entrevista coletiva
O que vem agora: temporada de prêmios
Com Cannes no bolso, o filme se posiciona como favorito incontestável na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, categoria em que o Brasil só venceu uma vez, em 1962, com O Pagador de Promessas. A campanha americana, conduzida pela Sony Pictures Classics, começa oficialmente em julho.
Setembro: festival de Telluride e Toronto (TIFF)
Outubro: festival de Nova York e início das exibições para Academia
Janeiro: indicações ao Oscar
2 de março: cerimônia do Oscar 2026
Para Fernanda Torres, o prêmio em Cannes a coloca diretamente na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, a mesma vaga que sua mãe, Fernanda Montenegro, ocupou em 1999 por Central do Brasil, também dirigido por Salles.
O cinema brasileiro, que vinha de uma sequência de bons resultados em festivais menores, ganha agora uma plataforma global. E uma pergunta velha volta com força nova: quanto tempo até a primeira Palma de Ouro brasileira virar a segunda?
Editora-chefe do Pipocou. Cobre festivais internacionais e indústria audiovisual há 12 anos. Já passou por Folha, Piauí e Variety Brasil.
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32 comentários
Lucas Andradehá 2 horas
Que momento histórico. Já tinha visto o filme em outubro e saí do cinema sem palavras. A Fernanda Torres entrega uma das atuações mais contidas e poderosas que já vi, merecidíssimo.
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Beatriz Coelhohá 4 horas
Vai com tudo pro Oscar agora. Curioso pra ver como vai ser a campanha americana, historicamente filmes em português têm mais dificuldade que os em espanhol/francês na corrida.
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Rafael Mendeshá 6 horas
Salles merecia há muito tempo. Diários de Motocicleta já era uma obra-prima que não foi premiada como deveria. Justiça poética.
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