A Laika não lançava filme em stop-motion desde Missing Link: O Elo Perdido (2019), mas o teaser de Wildwood (título ainda sem tradução oficial para o Brasil), apresentado durante o Festival de Cannes em 13 de maio, já bateu 88 milhões de visualizações no YouTube em uma semana, segundo a Deadline. É a maior estreia de trailer pra um filme totalmente animado na história da plataforma.
A volta do estúdio que ninguém esperava
A Laika passou a década passada presa em projetos de live-action que nunca saíram do papel. Wildwood virou um símbolo do retorno do estúdio à animação artesanal que firmou a reputação da casa. O filme é dirigido por Travis Knight, o mesmo de Kubo e as Cordas Mágicas, e adapta o romance de Colin Meloy, vocalista da banda The Decemberists, com ilustrações de Carson Ellis. O livro saiu em 2011 e vendeu mais de um milhão de cópias.
A história acompanha Prue McKeel, adolescente que precisa entrar numa floresta encantada às bordas de Portland depois que o irmão bebê é levado por um bando de corvos. Peyton Elizabeth Lee dá voz à protagonista. O resto do elenco lê quase como um sonho febril de quem cresceu vendo Laika: Carey Mulligan, Mahershala Ali, Awkwafina, Jacob Tremblay, Tom Waits, Angela Bassett, Charlie Day, Jemaine Clement.
O que o número de views significa
Trailer animado costuma ser difícil de mexer com o público adulto. A média histórica de view count em sete dias gira em torno de 15 a 20 milhões, com casos isolados de Frozen 2 e Divertida Mente 2 puxando o número pra cima graças à força da Disney/Pixar. Bater 88 milhões num estúdio independente como a Laika é dado fora da curva.
A explicação envolve dois fatores. O primeiro é o estado do stop-motion na cultura pop. Depois de Pinóquio de Guillermo del Toro e da volta de animadores autorais ao formato, o público adulto de animação reencontrou a técnica. O segundo é o livro. Wildwood virou referência geek nos Estados Unidos, com base sólida de fãs que esperavam adaptação havia mais de uma década.
Quando estreia
Wildwood abre nos cinemas norte-americanos em 23 de outubro pela Fathom Entertainment, a mesma distribuidora especialista em relançamentos que cuidou da volta de Coraline e ParaNorman às salas. A estreia no Brasil ainda não está confirmada, e a falta de um grande estúdio segurando a janela internacional acende sinal amarelo. O caminho mais provável é direto pra streaming, com Apple TV+ e Netflix discutindo direitos segundo a Deadline.
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